Em algumas comunidades daqui era quase obrigação da mulherada saber fazer renda. Dizem que saber fazer uma boa renda contava pontos na hora de achar um pretendente para se casar. Enquanto os homens iam pescar as mulheres faziam renda pra vender e isso era importante para o orçamento doméstico.
Imagino a mulherada se reunindo com suas almofadas de bilros: enquanto os fios ficavam presinhos, as fofoquinhas iam rolando. Devia ter cantoria também, de praxe. Alguém tem uma máquina do tempo pra me emprestar?
Infelizmente a renda de bilro hoje é uma arte quase extinta, porque é preciso muito tempo, dedicação e disposição para aprender a fazer uma boa renda. E as pessoas andam apressadas, aceleradas.
E depois não é todo muito que quer pagar o preço justo por uma peça destas. Acha que foi feita num passe de mágica. Nada disso. Demandou muuuuuito tempo e paciência.
Ainda bem que a criatividade anda revirando o mundo dos bilros e da moda e as rendas estão sendo aplicadas peças de vestuário e acessórios, como bolsas, casaquinhos, vestidos...
E nós nos inpiramos nelas também. Essa rendeira aí debaixo tem um ar sonhador e apaixonado, de quem espera seu mô chegar do mar...
HOMENAGEM À RENDEIRA, EM CERÂMICA, AQUI DA CAJ'DA VÓ.
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